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Professor de Português do Ensino Fundamental tem matéria publicada no Jornal do Commércio. PDF Imprimir E-mail

Juiz-professor usa súmula para ensinar português

Criatividade tem ajudado professor a ensinar português a alunos de Recife. Com as súmulas dos jogos de clubes como Sport, Náutico e Santa Cruz na mão ele consegue engajamento de meninos e meninas em produção de textos e debates em sala.

Um árbitro, que também é professor, encontrou um jeito diferente de ensinar português aos seus alunos (em Recife). Sérgio Claudino de Santana, 33 anos, juntou futebol e internet, dois ingredientes que fazem parte do dia-a-dia dos adolescentes, para ensinar regras gramaticais e as diferentes maneiras de escrever um texto. As matérias-primas são a súmula e o relatório que todo juiz redige, ao final de cada jogo, e depois disponibiliza nos sites das federações locais e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), atendendo a uma determinação do Estatuto do Torcedor. A receita tem dado certo. Os estudantes aprovaram a novidade e dizem que a língua portuguesa ficou mais interessante.

A aula normalmente começa na sexta-feira, quando a turma é dividida em grupos. A primeira tarefa é definir qual partida cada equipe terá que assistir no fim de semana. Quem torce pelo Sport, evidentemente escolhe o jogo em que o time participará. O mesmo acontece com o Náutico e o Santa Cruz. “Como a maioria da turma é de torcedores do Sport, nem sempre coincide de o aluno acompanhar o jogo de seu time. Mas isso é bom. Sem estar envolvido emocionalmente na partida ele pode observar melhor a atuação do juiz”, destaca o professor-árbitro.

Após assistir ao jogo, o estudante acessa os sites para ver o relatório e a súmula do juiz. Em seguida, já em sala de aula e com o restante do seu grupo, redige também um relatório. Para construir o texto coletivo, há debate e troca de idéias sobre a atuação do árbitro. Por fim, acompanhados do professor Sérgio, eles identificam o tipo de texto, as expressões usadas pelo juiz, as regras gramaticais e comparam com a redação escrita por eles.

Tipos de linguagem (formal ou coloquial), concordância verbal, pontuação e outros assuntos fazem parte da aula. Para justificar a aplicação de um cartão, por exemplo, o árbitro tem que usar um texto narrativo. Há momentos que o texto deve ser argumentativo. “Os alunos aprendem como organizar um texto e ampliam o vocabulário”, observa Sérgio. “Aproveito a curiosidade deles para introduzir os conteúdos. Há um enorme hiato entre a leitura e a produção textual. Percebo que a partir dessa experiência, os alunos estão melhor na disciplina”, atesta o professor, que realizou o trabalho como especialização em lingüística aplicada ao português na Faculdade Paula Frassineti (Fafire).

A experiência vem sendo colocada em prática em duas unidades de ensino, uma particular e uma pública: o Colégio Pontual, na Cidade Universitária, e a Escola Estadual Conselheiro Samuel Mac Dowell, em Jardim Primavera, Camaragibe, no Grande Recife. As turmas são de alunos de 5ª a 8ª série do ensino fundamental.

“A aula ficou mais movimentada. A gente assiste ao jogo em casa e depois comenta na sala”, diz Ícaro Alysson, 13, torcedor do Santa Cruz e aluno da 7ª série do Colégio Pontual. “Às vezes tenho dúvida se o árbitro atuou corretamente. Como o professor é também juiz, podemos discutir com ele”, comenta o rubro-negro Matheus Oliveira, 13, colega de Ícaro. “São três aulas seguidas de português. Fazer tarefa somente pelo livro é cansativo. Com esse jeito de ensinar estamos aprendendo mais”, observa Danton Soares, 13, também tricolor.

E quem pensa que somente os meninos entendem de futebol está enganado. Alana Cristina, 12, Larissa Pimentel, 10, Maria Gabriela, 12, e Sara Galvão, 13, todas rubro-negras, gostam da atividade proposta pelo professor Sérgio e, como os rapazes, preenchem as súmulas e discutem a atuação do árbitro.

Texto de Margarida Azevedo ( Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email ), publicado no Jornal do Commercio (PE) no dia 17 de agosto 

 
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